In My Head....Or Something...

Friday, May 16, 2008

A espera do barulho impossível

Do choque que concede a gravidade

Como se ela vivesse em tudo e tudo fosse

Há tanto tempo

Que se acostuma a ela os dias do mês

A esses dias que não sei acabar e não sei quando acabam

Quando me deito tarde e sem sono


E quando esse alarme toca

Da colisão dos mortos e dos vivos

Das profundezas que se escondem

Meu corpo treme em defesa

A minha calma que o olhar não aceita

E os meus anos passados em memórias queimadas



A vida que sinto sem as amarras

Me diz em silêncio que a falta é tão grande

Que não falta nada

As correntes em meus pés que criei

Para me livrarem do que foi criado antes de mim


Elas me puxam e perguntam aonde ir

Além do que se pode enxergar eu digo

Então elas calam

E apenas pesam um pouco ao serem arrastadas


Eu fotografo o mundo entre algo que não posso tocar

Tuesday, April 15, 2008

Há algo estranho no ar

Como podem sentir os fantasmas

Que consomem

A dor

Que aflinge a alma

Ao andar pela cidade

Em um amor rancoroso e sem paradeiro

Como uma vingança secreta

Perseguem na penumbra fria

A olhar a lua pintada

Eles eram realmente uns imbecis metidos a espertalhões. Aí está alguém que merece sofrer. Eu ri, avancei e desferi um soco reto no que estava mais próximo. O sangue começou a escorrer e ele me olhou sem expressão, talvez um pouco surpreso. Senti uma satisfação com aquilo, e continuei avançando, mas por trás de mim algum fio passou abruptamente em minha garganta. Eu continuei a olhar, e do chão pude ver uma figura sem rosto crescer em minha direção com uma foice na mão em suas calças jeans. Ele me matou. E agora minha cabeça está no lugar, e meus dentes ainda não rangem, silenciados pelo sono. Notícias de jornal, palpáveis em suas folhas sujas. O branco descascado da sacadinha de metal. Eu me apoio nela e vejo lá embaixo o piso velho e meio esburacado da área aberta do apartamento de fundos do térreo. Dois vasos de plantas, um em cada canto, me fizeram lembrar algo, mas não soube dizer o que era. Nenhuma relação com isso, ainda parece sonho. O peso leve do corpo em pé.

No banho as lajotas opacas refletem minha mente vazia , e minhas mãos me dizem que, afinal, não há fantasmas. O shampoo caindo pelo corpo, e de olhos fechados todo esse espaço não parece muito diferente. Eu gostava bastante de tomar banho quando criança. Olhava meus braços molhados refletidos na luz da lâmpada, eles pareciam raios, e lia os rótulos dos produtos apoiados no pequeno suporte. Minha toalha colorida esperava ao lado.
Agora enquanto seco minha nuca ela me chama, como o fundo dos meus olhos. Uma falta estranha de nada. Não há porque chorar, nem sorrir, a essa hora da manhã. Nem também porque levar adiante o nascimento de uma flor, nem de uma criança. Senti o cheiro do corpo lavado e me vesti ouvindo um vizinho cantar. Ele cantava alguns trechos, mas quando extendia muito, perdia a voz abruptamente, e ria.

Descendo a rua, um céu escuro e nublado paira sobre os fios elétricos,e aqui embaixo um monte de lixo aberto e rasgado na frete do prédio ao lado. As pessoas na parada de ônibus, eu tento adivinhar suas idades em seus rostos e corpos. Não sei se pareço velho ou novo para o que sinto. Não sinto o tempo passar, os dias ficam claro ou escuros. Muitos carros modernos. Visto o passado enquanto entro na padaria para comprar pão. Uma garota bem nova atende no caixa, e parece encabulada enquanto me olha de soslaio. Ela me entrega o pão enquanto um caminhão com frutas estaciona em frente.

De volta em casa, sento a mesa pra comer. Alguma coisa no pescoço, sinto quando me curvo pra passar manteiga no pão, um desconforto que dá vontade de mexer os braços e olhar para cima. A nuca me chamando de novo. Um gancho nas minhas costas. Sob a luz fraca da manhã se fez um pequeno espelho na tv desligada á minha frente. Ali estou eu, junto com a mesa, um espectro escuro, um vulto. Olho o relógio, tenho uma entrevista de emprego as dez e meia. Na sala silenciosa, o pensamento dá mais uma volta, voltando o caminho suspenso, quebrando o invisível. Preencher o único mundo, o meu, com uma cor diferente do que consigo ver. Um rádio mal sintonizado. Uma frequência fora da faixa, que me erga para além da culpa de viver dentro do que me tornei. Espalhar o meu corpo para além dos poros, para além dos pontos de ônibus, os fios elétricos, os carros, os prédios e os rostos.

Monday, January 28, 2008

Os segundos entre um momento

Soltos ao ar

Em um ciclo

De morte e renascimento


O sol que bate

Em prédios sujos e rotos

Como o passado

Em duas cores

No rosto de olhar enferrujado



E ao final do dia o fim

Do que durou muito ou pouco

Em um sonho catástrofe

De fogo e destruição


Em um momento

Pode-se matar um momento

E criar um contento

Por tudo aquilo que não se vê

Tuesday, September 04, 2007

Em minha vida

O trabalho não imaginado

E atribuído como mérito

Se veste na alma

Como roupa pesada


Eu permaneço em outro mundo

Até minha voz ser ouvida novamente

Invento mortalhas e armadilhas

Quando não há nada mais a fazer


Sobre esse fardo

Lamento distâncias e objetos

Para logo depois desprezar

Esse próprio pensamento


As coisas que eu não fiz

Ou que alguém fez

Não existem mais

Mas ainda há algo que não está aqui


E todas as cores de um dia tornam-se uma

Friday, July 06, 2007

O caminho que a correnteza leva

Em acenos e clarões

Viro-me pra olhar

Uma árvore

Uma casa

Uma rua


Tenho a água até a cintura

E em minha visão decrescente

Um homem se afoga

E outro me oferece dinheiro

Eles flutuam e desaparecem


O rio não é fundo o bastante

Para que possa afundar

Ou me esconder

Apenas não posso parar


Alguém seco

Que não se sente

Em algumas idéias ao vento

Uma máscara aberta na corrente


A lágrima se perde

Em espaços brancos

De vingança seca

Caída em preguiça

Sunday, May 27, 2007

Como toda a água dos mares

Ele irá te engolir

No meio da noite

E na luz do dia


Um incêndio que queima os anos


Todas as ruas

Os paraísos e as distrações

Comprados a prazo

Em ouro e lixo



Pedaços de vitórias

Em vozes vazias

Absorvidas

Como puro álcool



Procuro meus olhos

Em todos os lugares

Eles não atravessam

E nem voltam para mim



Estão atrás de um rosto

Para ele

Esse oceano que vaza

No meu corpo de papel

Thursday, April 19, 2007

Mortes vestidas

Em vidas nuas

O alívio em um corpo

Invisíveis cordas trançadas em carnes plásticas

Fechadas


Vida instantânea

Rasteja em movimentos simulados

A conveniência

Adquirida em territórios desérticos


Sem fluxo

Cavando a terra

Em pedaços

De alguns rostos e dias errados


Me diga se você sente algo

Nessas engrenagens gastas

Esse é meu tempo

E não sei para onde olhar